domingo, 3 de janeiro de 2010

que venha

Trecho final de uma poesia de Elisa Lucinda:

"(...)
Agora, diante da encomenda
metade de mim rasga afoita
o embrulho
e a outra metade é o
futuro de saber o segredo
que enrola o laço,
é observar
o desenho
do invólucro e compará-lo
com a calma da alma
o seu conteúdo.
Contudo
sempre quis um amor
que me coubesse futuro
e me alternasse em menina e adulto
que ora eu fosse o fácil, o sério
e ora um doce mistério
que ora eu fosse medo-asneira
e ora eu fosse brincadeira
ultra-sonografia do furor,
sempre quis um amor
que sem tensa-corrida-de ocorresse.
Sempre quis um amor
que acontecesse
sem esforço
sem medo da inspiração
por ele acabar.
Sempre quis um amor
de abafar,
(não o caso)
mas cuja demora de ocaso
estivesse imensamente
nas nossas mãos.
Sem senãos.
Sempre quis um amor
com definição de quero
sem o lero-lero da falsa sedução.
Eu sempre disse não
à constituição dos séculos
que diz que o "garantido" amor
é a sua negação.
Sempre quis um amor
que gozasse
e que pouco antes
de chegar a esse céu
se anunciasse.


Sempre quis um amor
que vivesse a felicidade
sem reclamar dela ou disso.
Sempre quis um amor não omisso
e que sua estórias me contasse.
Ah, eu sempre quis uma amor que amasse."

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Você ri

Esta é a primeira versão de um videozinho que fiz pros amigos da banda "Paramnese (provisória)"... há algumas coisas que ainda não me agradam, mas eis...




Paramnese: É uma perturbação do reconhecimento em virtude da qual o fato evocado não corresponde ao objeto original da percepção, embora não repugne isto à razão. Assim, o paciente revendo um irmão, considerará seu pai. Outras vezes a paramnésia consiste no processo mental segundo o qual uma atividade de imaginação seria considerada atividade mnésica. Em virtude da paramnésia surge o fenômeno do já visto: pessoas observadas pela primeira vez surgem aos olhos do paciente como antigos conhecidos. Há também o fenômeno do nunca visto: um antigo objeto, que o paciente já viu inúmeras vezes, é considerado pelo paciente como coisa inteiramente nova. Observa-se a paramnésia na psicastenia, na confusão mental, na demência senil, na arteriosclerose cerebral, na histeria.

sábado, 26 de dezembro de 2009

à nova rede
da casa nova
balanço velhas
novas memórias

uma brisa...

à pele
à gora
sempre boas
novas

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

andando nos andes

Sou apaixonado pela música latina... e, pela andina, em especial. Vários grupos e cantores ajudaram a divulgar a cultura andina, como victor jara, violeta parra, inti illimani, quilapayun e muitos outros. Abaixo segue duas músicas das minhas preferidas, que me deixam sempre bem :) A 1a é "El Tinku" cantada por Inti Illimani (espero ainda, na minha vida - quem sabe agora em janeiro - ver um show deles!) e depois "Angelita Huenuman" de Victor Jara.

Pra completar o quadro todo, coloco logo ali um link pra uma linda exposição sobre as pinturas murais do Chile de Allende! Muito boa! Linda! Vão lá, custa só um clique: http://www.abacq.net/imagineria/expoa.htm


1. El Tinku
(Tinku é uma luta ritual do norte da bolívia... luta de opostos pra gerar a unidade das tribos do norte e do sul e garantir a fertilidade da terra)





2. Angelita Huennuman (de Victor Jara, interpretado, aqui, pelo grande Patricio Castillo... infelizmente, não achei no youtube algum vídeo com a voz do Victor, que acho linda.)




"En el valle de Pocuno
donde rebota el viento del mar
donde la lluvia cria musgos
vive Angelita Huenuman.

Entre el mañio de los “huallas”
el avellano y el pitran
entre el aroma de las chiclas
vive Angelita Huenuman.

Cuidada por cinco perros
un hijo que dejo el amor
sencilla como su chacrita
el mundo gira alrededor.

La sangre roja de copihue
corre en sus venas Huenenuman
junto a la luz de una ventana
teje Angelita su vida.

Sus manos bailan en la hebra
como alitas de chincol
es un milagro como teje
hasta el aroma de la flor.

En sus telares, Angelita
hay tiempo, lagrimas y sudor
estan las manos ignoradas
de este mi pueblo creador.

Despues de meses de trabajo
el chamal busca comprador
y como parajaro enjaulado
canta para el mejor postor".


Victor fez essa música depois de conhecer Angelita:

"Rita: Angelita Huenumán, mi mamá, tuvo siete hijos. Tres sobrevivimos al parto y cuatro nacieron muertos, pero ahora sólo quedamos dos hermanos, porque mi hermana Juana del Carmen falleció en el 94.

Andrés: Mi infancia fue muy sacrificada. No pude estudiar por mucho tiempo, porque con doce años comencé a trabajar. Era el único hombre de la casa y tenía que ayudar a mamá en la chacrita, para que ella pudiera tejer. Con las cosas que hacía en su telar pagaba los abonos y los créditos que teníamos que pedir al banco. Ella logró comprar dos hectáreas de tierra que nos ha dejado, y ese es un recuerdo grande que tenemos gracias a su sacrificio. Cuando niño, yo iba con ella a Contulmo o a Cañete para vender sus alfombras, sus mantas y sus ponchos. En ese tiempo no había locomoción y teníamos que ir caminando. En uno de esos viajes conoció al director de la escuela agrícola de Contulmo y fue él quien le habló a don Víctor Jara de Angelita, y lo llevó un día a nuestra casa para que la conociera. Ella, entonces, tendría cerca de cincuenta años. Cuando vino don Víctor yo estaba en ese momento en la escuelita y no lo vi, pero luego mi mamá me contó que habían venido a visitarla y se reía contándolo. ¿De dónde diablos serán esos que vinieron a verme y me sacaron fotos?, decía."

Aqui um vídeo que mostra a família de Angelita, hoje: http://www.youtube.com/watch?v=UdE4zwAyfoU

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

O tempo perdido


(Jacques Prévert)

Diante da porta da fábrica
O trabalhador súbito pára
O dia lindo o puxa pela roupa
E como ele se volta
E olha o sol
Tão rubro tão redondo
Sorrindo no seu céu de chumbo
Dá uma piscada
Familiar
Diz então camarada Sol
Não achas que é
Uma grande idiotice
Dar um dia como este
A um patrão?