domingo, 20 de dezembro de 2009

Ao coração do palhaço

entre ingênuo e afoito,
arma, de novo, seu vôo
na garganta do futuro

mas o vento estanca
o sonho é mudo

e o palhaço na pose
de aviador intrépido
(é, assim, de braços abertos)
abre os olhos
aos poucos
enquanto os risos cessam

(e o silêncio pesa como uma lua)

com um risinho frouxo
vai encolhendo os braços
e guardando o vôo
nos bolsos
de trás,
(um pouco triste,
é verdade,
mas sem alarde.)

e é justo quando
o vento vem
e lhe bate
lhe bate
bate

(e os risos recomeçam
e o poema recomeça)