Adoro Mário Quintana. Foi ele quem me ensinou que poesia não precisava ser aquela coisa fúnebre nem tão profunda (como Fernando Pessoa e tantos outros que me influenciaram de início). Quintana me ensinou como a poesia é cotidiana, jogando luz nas pequenas coisas perdidas do dia e da vida. Estou falando dele porque hoje encontrei no sebo um de seus livros que mais gosto: "Apontamentos de História Sobrenatural" e para minha surpresa! o livro estava com dedicatória de seu próprio punho, datada de 1976 - ano da primeira edição do livro. :) Segue uma seleção de 4 poemas:
Descobertas
Descobrir Continentes é tão fácil quanto esbarrar com um elefante.
Poeta é o que encontra uma moedinha perdida...
Noturno Arrabaleiro
Os grilos... os grilos... Meu Deus, se a gente
pudesse
puxar
por uma
perna
um só
grilo,
se desfiariam todas as estrelas.
Tristeza de escrever
Cada palavra é uma borboleta morta espetada na página:
Por isso a palavra escrita é sempre triste...
Ritmo
Na porta
a varredeira varre o cisco
varre o cisco
varre o cisco
Na pia
a menininha escova os dentes
escova os dentes
escova os dentes
No arroio
a lavadeira bate roupa
bate roupa
bate roupa
até que enfim
se desenrola
toda a corda
e o mundo gira imóvel como um pião!
segunda-feira, 25 de junho de 2007
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