terça-feira, 3 de julho de 2007

Mario Benedetti (II)

Enquanto aguardo a musa, sigo trabduzindo.

Síndrome

Ainda que tenha quase todos meus dentes
quase todos meus cabelos e poquíssimos brancos
que possa fazer e desfazer amor
subir uma escada de dois em dois
e correr quarenta metros atrás de um ônibus
ou seja
que não devesse me sentir velho
o grave problema é que
antes
eu não me fixava nessas coisas.


Mario Benedetti (I)

Tradução que fiz:

Egemonia


A potência hegemônica
nos deixa pouco espaço
quase nenhum futuro

não obstante
contudo
ninguém vai me impedir
que lhe tire o H
e o traga pra casa

(pelo menos é muda)

e que o prenda na gaiola
com o papagaio
e que esse loro
tagarela
a confunda


Disse fukuyama

Disse fukuyama
a história se acabou / já não há remédio
se consumiu a chama
e começou o assédio
da vã esperança com o tédio

Hegel o anunciou antes
e o previu marx (quando valia)
e houve outros hierofantes
cada um em seu dia
que agouraram o fim da utopia

Em tempos de prudência
oficial / ordenada / preferencial
não cabe aventuras já que
ajuizadamente
não exorta quimeras
o dia atual

Chegamos ao limite
do possível / não há outra saída?
- o limite dos limites -
estará repleta a medida
do que esperamos da vida?

a história terá acabado?
será o fim de seu passo
vagabundo?

Ficará prostrado
e imóvel este mundo?

ou será que começou
o tomo segundo?