domingo, 13 de abril de 2008

Apud III

Todos eles têm um mesmo desígnio,
e entregarão sua força e seu poder
à besta.

E que só possa comprar ou vender
quem tiver o sinal,
a saber,
o nome da besta ou
o número do seu nome.

(Deus apud João Evangelista ("Apocalipse") apud Marx, "O Capital - Crítica da Economia Política", Livro I - O Processo de Produção do Capital, Capítulo II - O Processo de Troca, pág.97)

Soneto - Chico Buarque

Nada de drama. Apenas essa linda voz da Nara iluminando essa beleza de letra do Chico... poesia de primeira, de segunda, terceira...



Por que me descobriste no abandono
Com que tortura me arrancaste um beijo
Por que me incendiaste de desejo
Quando eu estava bem, morta de sono

Com que mentira abriste meu segredo
De que romance antigo me roubaste
Com que raio de luz me iluminaste
Quando eu estava bem, morta de medo

Por que não me deixaste adormecida
E me indicaste o mar, com que navio
E me deixaste só, com que saída

Por que desceste ao meu porão sombrio
Com que direito me ensinaste a vida
Quando eu estava bem, morta de frio