Conheci Roque Dalton, poeta e guerrilheiro nicaraguense, a pouco tempo através de um livrinho que narrava um pouco da luta revolucionária na Nicargua (posts abaixo). Pesquisando mais sobre ele descobri o interessante trabalho poético que possui e, na falta de traduções para o português, me animei de seguir tra(b)duzindo - como chamo - seus poemas. Também colocarei mais informações sobre o poeta, sua obra e vida (em breve traduzirei uma entrevista que o Mario Benedetti! fez ao jovem Dalton quando este ganha o prêmio Casa das Américas). Abaixo segue mais uma trabdução (um adianto: Roque utiliza costumeiramente personagens fictícios em seus poemas para cutucar o leitor... no poema abaixo é como se simulasse que recebe uma carta de um companheiro.)S.O.S
(Carta que me chegou)
"O grande poeta chileno Pablo Neruda
recebeu o Prêmio Nobel.
Nessa noite convidou para ceiar a sós Gabriel
García Márquez
e logo disse à TV francesa
que a narrativa é melhor que a poesia e que
Cem anos de Solidão
é a melhor novela do século e quiçá
a melhor novela em espanhol desde Cervantes.
O presidente Richard Nixon recebeu
dia 3 de fevereiro ao poeta soviético Eugenio Yevtushenko
durante meia hora na Casa Branca.
"A poesia, a música e a pintura - disse Nixon -
são uma linguagem internacional que transcende
toda fronteira geopolítica."
Henry Kissinger, conselheiro especial de Nixon para
assuntos de segurança, assistiu a uma parte desta entrevista.
Depois dela, o poeta Yevtushenko
voou a Porto Rico onde declarou
que Cem anos de Solidão é a melhor novela do século
porque tem de tudo: mistério, poesia, denúncia, etc.
Eu penso que o Prêmio Nobel é o Prêmio Principal
da burguesia internacional,
que sei que en Haifong e Hanoi conhecem bem a linguagem
internacional de que Nixon falou a Yevtushenko,
suspeito que em algum lugar deverá ter
abundante merda Cem anos de Solidão
- que tanto tenho gostado até agora
em seu encantador marco estritamente literário
(não li a crítica a respeito) -
que logre explicar tão peculiar coincidência."
Pode ser que isto não seja poético.
Mas se em todo ele há verdade,
em nome de todos os encantados leitores
de "a mais bela literatura da América Latina",
peço auxílio.