quinta-feira, 8 de maio de 2008

Leminski

Olha aí um videozinho do Leminski teorizando sobre poesia... mais água pro nosso moinho... cada frase dele pode ser contradita... por exemplo, que perguntar o porquê da poesia seria o mesmo que perguntar o porquê do orgasmo, que isso não faz sentido, não tem pra quê. Mas será que o hedonismo, em que vivemos hoje, e que envolve os orgasmos em todo o mundo consumista não está culturalmente moldando os porquês do orgasmo? Será que o mesmo não se pode dizer da poesia... que reduzir a poesia apenas a fruição de um momento de "loucura", de desrazão da linguangem, não seja dar-lhe um sentido, uma finalidade? Só jogando alguns amendoins, como se diz no jargão político... :) Acima de tudo fica aqui o respeito pela poesia desse poeta que gosto muito. Acredito muito numa das coisas que ele diz no final do vídeo: que a poesia é um instrumento de apreensão do mundo, dos mundos, de uma lucidez e capacidade observacional incríveis, imensamente maior que de qualquer outro instrumento científico. Como Gullar diz, foram os poetas e grandes artistas que, antes de Marx, desvelavam a complexa rede dialética da realidade social com suas contradições e movimentos.

um bom poema
leva anos
cinco jogando bola,
mais cinco estudando sânscrito,
seis carregando pedra,
nove namorando a vizinha,
sete levando porrada,
quatro andando sozinho,
três mudando de cidade,
dez trocando de assunto,
uma eternidade, eu e você,
caminhando junto

Paulo Leminski