Soneto - Chico Buarque
Revendo por acaso meu próprio blogue topei com esta maravilhosa poesia do chico e com a nara linda(-de-morrer) cantando. Fiquei tão tocado pela beleza-tristeza-alegria dessa letra nesta manhã ressacada de um sábado tão silencioso e nublado... que vale o re-post! (um sábado tão, mas tão estranhamente silencioso, daqueles silêncios de feriado - quando até os passarinhos fogem pra alguma convenção internacional na praia - que até vou dar uma volta, agora, pra ver se não estou sozinho no mundo).Por que me descobriste no abandono
Com que tortura me arrancaste um beijo
Por que me incendiaste de desejo
Quando eu estava bem, morta de sono
Com que mentira abriste meu segredo
De que romance antigo me roubaste
Com que raio de luz me iluminaste
Quando eu estava bem, morta de medo
Por que não me deixaste adormecida
E me indicaste o mar, com que navio
E me deixaste só, com que saída
Por que desceste ao meu porão sombrio
Com que direito me ensinaste a vida
Quando eu estava bem, morta de frio