
O poema abaixo, do Mauro Iasi, é um tanto polêmico. Sugiro ler mais sobre o Vandré hoje (links no fim do post) para tirar suas próprias conclusões. Pra apimentar a questão reproduzo a frase do Geraldo ao ser interpelado por um jornalista:
“O problema é que você quer falar com Geraldo Vandré.
E Geraldo Vandré não existe mais,
foi um pseudônimo que usei até 1968.”
E Geraldo Vandré não existe mais,
foi um pseudônimo que usei até 1968.”
Vandré (Mauro Iasi)
De todas as mortes que carrego,
marcadas em minha alma feito cicatrizes,
de todos os crimes da ditadura
um me dói de forma especial.
Não é a multidão de mortos
com seus corpos dilacerados.
Não são os ossos perdidos
que buscam por seus nomes.
Não é o tiro
o choque
o murro.
É o poema que não foi feito,
a música inacabada,
aquela melodia presa na mente
soterrada pelo medo.
Os dedos inúteis longe das cordas,
o acorde que nunca foi desperto,
os olhos secos das lágrimas justas,
a voz calada.
Que requinte mais perverso de crueldade:
matar alguém e deixar seu corpo vivo
como testemunha da morte inacabada.